Preparar as malas é muito mais prazeroso quando você não precisa preparar também o seu psicológico na hora da volta pra casa, quando se depara com as dívidas que precisou fazer para sair de férias.
Neste artigo, a gente quer mostrar para você como planejar financeiramente uma viagem é perfeitamente possível, com técnicas que podem ser colocadas em prática desde já e que vão te trazer muito mais tranquilidade enquanto conhece o mundo.
Vem com a gente para entender:
- Como fazer um planejamento financeiro para uma viagem;
- Estratégias para economizar no dia a dia e viajar mais;
- Onde guardar o dinheiro da viagem para render.
Vamos lá?
Como fazer um planejamento financeiro para uma viagem?
O primeiro passo desse planejamento financeiro é saber para onde será a viagem, quanto tempo você vai passar no destino e quando pretende partir — isso serve para você ter uma noção mais precisa de quanto dinheiro vai precisar. Depois disso, esses passos vão fazer toda a diferença nos seus planos:
- Organize suas finanças atuais;
- Analise todos os custos da viagem;
- Defina quanto pode poupar por mês;
- Pague parte da viagem antes de iniciá-la;
- Pesquise passagens e hospedagem com antecedência;
- Corte gastos desnecessários (sem “deixar de viver”);
- Pesquise com cuidado sua acomodação;
- Invista o dinheiro reservado (com liquidez);
- Planeje com antecedência seu uso de internet no destino;
- Tenha uma reserva de dinheiro exclusiva para a viagem.
Agora, você vai entender como colocar cada uma em prática e a diferença que fazem na sua viagem.
1. Organize suas finanças atuais
Antes de mais nada, entenda exatamente quanto você ganha e quanto gasta. De preferência, anote todas as suas receitas (salário e renda extra), despesas fixas e variáveis do mês — pode ser em um app, em um caderno ou uma planilha. Dessa maneira, fica mais fácil saber onde você pode se organizar sem perder qualidade de vida.
Com esse diagnóstico, por exemplo, aumentam as suas chances de identificar um gasto que pode ser cortado e que vai fazer diferença na sua viagem. Até mesmo pequenas somas podem virar uma reserva para ser usada enquanto estiver fora.
2. Analise todos os custos da viagem
Agora, liste as despesas principais que você terá viajando:
- Passagens;
- Hospedagem;
- Alimentação;
- Deslocamentos locais.
Nessa etapa, é importante que você faça uma estimativa realista de cada item, e que prefira jogar os valores para cima para não correr o risco de chegar ao fim do seu planejamento e perceber que ficou faltando dinheiro.
Além disso, por menores que sejam, considere gastos com documentos, seguros e até impostos (como o IOF do cartão).
Dica extra: defina o perfil da viagem (luxo ou econômica, descanso ou compras), já que isso também cumpre o papel de orientar seu orçamento. Planeje uma viagem à medida do seu bolso e lembre-se de incluir uma margem extra para imprevistos.
3. Defina quanto pode poupar por mês
Com o orçamento mapeado, escolha um valor fixo para poupar mensalmente — pode ser algo entre 5%-10% da sua renda total, se possível. Naturalmente, você pode e deve guardar mais do que isso se conseguir, desde que não corte suas despesas essenciais (alimentação, moradia, contas da casa etc.).
E olha só: essa dica vai além da construção financeira — ela é de grande ajuda motivacional também. Se você tem uma meta fixa, não só consegue controlar melhor o orçamento, mas também consegue manter a disciplina até a data da viagem, já que a evolução do dinheiro vai te servir de combustível até a data de partida.
4. Pague parte da viagem antes de iniciá-la
Uma forma inteligente de aliviar seu orçamento é ir pagando partes da viagem com antecedência, como passagens, hospedagem ou até passeios. Em vez de deixar tudo para a data de partida, você distribui os custos ao longo dos meses e evita aquele impacto pesado no cartão ou na conta de uma vez só.
Além disso, você viaja com mais tranquilidade, sabendo que boa parte dos custos já está resolvida. Enquanto estiver fora, fica mais fácil concentrar a sua mente apenas naquilo que está sendo gasto no momento.
5. Pesquise passagens com antecedência
Comprar passagens aéreas com meses de antecedência pode reduzir em até 50% o valor das passagens. Se você tiver flexibilidade de datas para viajar, vale dar uma olhada em quais períodos do ano são considerados baixa ou alta temporada no seu destino — obviamente os preços na alta temporada são bem maiores que o comum.
Dica: use buscadores e “alertas de preço” para encontrar promoções de passagens por você.
Além disso, se o seu destino for distante, como na Ásia ou na Oceania, talvez seja mais econômico comprar o primeiro trecho até um destino estratégico (na Europa, por exemplo) e de lá seguir para o destino final.
6. Corte gastos desnecessários (sem “deixar de viver”)
Sofrer não é preciso, mas priorizar sim. Identifique gastos supérfluos e veja o que pode ser reduzido: talvez um café diário por fora possa ser feito em casa; jantares semanais substituídos por noite de cinema em casa; assinatura de serviços que você quase não usa. Essas mudanças simples liberam dinheiro todo mês.
Mas sem neuras: é possível economizar muito mesmo sem abrir mão de tudo aquilo que você gosta e te faz feliz. Por exemplo, você pode gastar menos em roupas novas nos próximos meses e usar isso para viajar, sem deixar de encontrar amigos ou sair nos finais de semana. A ideia não é se privar de tudo, mas alinhar gastos com seus objetivos.
7. Pesquise com cuidado sua acomodação
Escolher seu hotel, hostel ou Airbnb com antecedência serve para encontrar algo dentro do seu orçamento e que sirva a todas as suas necessidades.
A lógica de acomodações costuma ser a mesma em qualquer destino: espaços centrais custam mais caro, enquanto alternativas mais distantes saem mais baratas — nesse último caso, é recomendável que você sempre verifique se o custo e o tempo gasto com transporte valem a economia inicial.
Dica extra: pesquise por acomodações em diferentes plataformas, já que, muitas vezes, há uma variação de preço entre uma e outra.
8. Invista o dinheiro reservado (com liquidez)
Enquanto economiza, não deixe seu dinheiro parado — o faça render mesmo que seja apenas um pouco. Aqui, é importante que você escolha investimentos líquidos e de baixo risco, para poder resgatar perto da viagem.
Para prazos curtos (menos de um ano), sugestões oficiais incluem o Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária, já que rendem mais que a poupança e permitem saque imediato.
Para prazos intermediários (1–2 anos), considere CDBs prefixados ou LCIs/LCAs que pagam juros maiores e têm liquidez moderada ou recompensas fiscais (isentos de IR).
9. Planeje com antecedência seu uso de internet no destino
A gente sabe que provavelmente você não vai querer ficar offline durante a sua viagem. Como o uso de internet pode sair caro se você estiver indo viajar para o exterior e pensando em usar o roaming da sua operadora, o ideal é que explore alternativas como e-chips globais e planos de internet especiais para turistas.
Essas opções tendem a ser livres de burocracia, já que o uso se destina a curtos períodos fora do país. Assim, você desfruta de conexão o tempo todo, sem temer a conta do telefone que virá depois.
10. Tenha uma reserva de dinheiro exclusiva para a viagem
Separar essa reserva do restante das suas economias te ajuda a visualizar o seu progresso até a viagem. Além disso, pode ser usada durante o seu tempo fora, para custear gastos com transporte, passeios e alimentação.
Dica: se você está indo para fora do país, fique de olho no câmbio e tente comprar a moeda estrangeira em momentos de baixa — e vá armazenando essas quantias na sua reserva exclusiva, para usar durante a viagem. Se deixar para trocar a moeda de uma vez só e perto demais da data do seu voo, corre o risco de sofrer com um câmbio desfavorável.
Dica bônus: estude a melhor maneira de enviar dinheiro para fora do país
Em viagens internacionais, você pode usar seu cartão de crédito no modo viagem, um cartão global ou enviar remessas para serem retiradas no destino, em dinheiro físico. As taxas cobradas por cartões de crédito costumam ser bem altas, então nossa recomendação é que verifique as outras alternativas.
Há várias opções de cartões globais, com taxas distintas — compare bastante para saber qual é mais favorável para você. Além disso, veja se os custos baixos de enviar uma remessa valem a pena, mas esteja ciente de que isso significará andar com dinheiro espécie no destino.
Estratégias para economizar no dia a dia e viajar mais
Mesmo sem nenhuma viagem no horizonte, você pode colocar em prática alguns hábitos financeiros mais saudáveis para que elas sejam mais frequentes na sua rotina. Olha só:
- Estabeleça um orçamento mensal: detalhe receitas e despesas em categorias sempre, não só antes de viajar. Controle seus gastos fixos (aluguel, contas) e variáveis (supermercado, lazer) para analisar onde você pode reduzir sem perder qualidade de vida (por exemplo, subscrevendo planos de streaming duplicados);
- Corte pequenas despesas: pequenas mudanças acumulam uma boa poupança ao longo dos meses. Não precisa cortar tudo o que te faz feliz, mas analise aquilo que não te fará uma falta real — como comer mais em casa em vez de pedir comida, comprar roupas com menos frequência e por aí vai;
- Negocie contas fixas: talvez seus planos de internet, celular ou seguros tenham novas opções disponíveis, mais econômicas e ainda assim de acordo com suas necessidades. Mesmo com diferenças pequenas, as economias totais se atualizar esses planos podem viabilizar alguma viagem, mesmo que curta;
- Planeje compras de supermercado: faça lista e não vá de estômago vazio para evitar compras por impulso. Aproveite promoções de mercados e aplicativos de cashback. Além disso, comprar apenas o necessário e em quantidade maior (arroz, feijão, congelados) evita idas frequentes e desperdício de dinheiro.
Dica extra: a metodologia 50-30-20 é simples e bastante útil para te ajudar a organizar o seu orçamento de forma contínua. Ela serve para dividir os seus ganhos mensais em três categorias:
- 50% da sua renda total vai para despesas essenciais, como aluguel, moradia e alimentação;
- 30% vai para o lazer, como saídas nos fins de semana, cinema etc.;
- 20% vai para as suas prioridades financeiras, que pode ser viajar em uma data específica, investir ou construir uma reserva de emergência.
Essa proporção, é claro, é uma sugestão de um cenário ideal — você pode adaptá-la conforme a sua realidade. O mais importante é que você estabeleça porcentagens específicas para conseguir avaliar se o planejamento está dando certo ou se precisa ser ajustado.
Onde guardar o dinheiro da viagem para render?
Não existe nenhuma “aplicação mágica” para este fim, já que o importante é escolher investimentos compatíveis com o prazo até a viagem e com boa liquidez (ou seja, poder resgatar fácil).
Para curto prazo (menos de 1 ano), prefira aplicações com alta liquidez e baixo risco: Tesouro Selic, CDB de liquidez diária ou conta remunerada são boas opções. Todos esses rendem mais que a poupança e permitem sacar sem perda significativa de rendimento.
Para médio prazo (1–2 anos), você pode olhar CDBs prefixados/pós-fixados e fundos DI ou de renda fixa de curto prazo, que oferecem retorno maior se deixados até o vencimento.
As LCIs e LCAs são interessantes também, pois rendem bem e são isentas de IR, embora tenham prazos mínimos que devem ser analisados com cautela. Nas viagens internacionais, considere ter uma conta em dólar ou euro (algo viável por meio de contas digitais internacionais) para pagar menos IOF e câmbio mais barato.
Para prazos mais longos (acima de 2 anos), quem não se importa em manter o dinheiro investido pode até considerar parte em ações ou fundos multimercado de baixo custo, mas lembre-se: essas alternativas têm mais risco e podem não ser ideais se a viagem ainda for próxima.
Lembre-se: além do seu objetivo ao investir, é importante que suas escolhas de aplicação levem em conta o seu perfil de investidor. Se o seu grau de tolerância ao risco for baixo, por exemplo, evite colocar o seu dinheiro em ativos complexos e de renda variável.
Se planeje financeiramente e viaje mais
Não existe uma fórmula mágica para viajar mais, mas alguns hábitos financeiros definitivamente servem para te levar até esse objetivo: ter controle sobre seus gastos, saber exatamente quanto ganho e quanto gasta, e ter um portfólio de investimentos que seja estratégico e adequado ao seu perfil.
Se colocar tudo isso em prática por conta própria parece difícil, o faça com um planejador financeiro da Grão! Esse profissional vai te ajudar a tomar as rédeas das suas finanças, mapear seus objetivos e te orientar para investir melhor e com mais eficiência.
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