Como fazer um planejamento financeiro: aprenda em 6 passos

Como fazer um planejamento financeiro
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Se você está aqui, é porque já tem — ou começou a ter recentemente — mais clareza e consciência sobre a necessidade de gerir melhor o próprio dinheiro. Para isso, apenas um caminho é possível: o planejamento financeiro.

A tarefa é árdua e contínua, mas definitivamente vale a pena. Afinal, resulta em mais qualidade de vida, tranquilidade sobre o seu patrimônio e possibilidade de conquistar grandes sonhos, como ter uma casa, fazer uma viagem ou formar uma família.

Topa começar essa jornada hoje mesmo? O primeiro passo é fácil — continue esse artigo até o fim e aprenda:

  • Como fazer um planejamento financeiro passo a passo;
  • Quais ferramentas podem ajudar a fazer um planejamento financeiro;
  • Qual é o maior desafio de fazer um bom planejamento financeiro;
  • 5 erros para evitar quando for fazer um planejamento financeiro.

Além disso, se ficar até o final, terminará o conteúdo com uma dica imbatível sobre onde conseguir ajuda para extrair apenas o melhor das suas finanças.

Vamos lá?

Como fazer um planejamento financeiro passo a passo?

Um planejamento financeiro só funciona quando sai da cabeça e vai para o papel. Antes de pensar em economizar ou investir, é preciso saber exatamente para onde o dinheiro está indo, identificar desperdícios e entender quanto realmente sobra no fim do mês. 

Os passos abaixo organizam esse processo de forma prática, do básico ao mais avançado:

  1. Saiba exatamente quanto você ganha e quanto gasta
  2. Coloque na ponta do lápis todas as suas despesas fixas
  3. Utilize uma planilha para acompanhar cada movimentação financeira
  4. Defina metas de curto e longo prazo
  5. Aprenda a economizar o seu dinheiro
  6. Comece a investir

Entenda a seguir o que fazer em cada etapa.

Passo 1: saiba exatamente quanto você ganha e quanto gasta

Primeiramente, precisamos reforçar que, sem previsibilidade de gastos e receita, é impossível se organizar financeiramente. Afinal, dessa maneira, você nunca saberá com certeza e exatidão se tem gastado mais do que ganha ou se há a possibilidade concreta de juntar dinheiro depois de pagar todas as contas. 

O cálculo é simples: é preciso apenas subtrair os seus rendimentos pelo total de suas dívidas. Caso as suas entradas de recursos (ou as suas pendências) não sejam fixas, faça uma média dos últimos 6 meses (planejamento pessoal) ou 12 meses (planejamento familiar e empresarial) para conseguir enxergar a sua situação financeira com o maior grau de clareza.

Passo 2: coloque na ponta do lápis todas as suas despesas fixas

Esse passo é para você conseguir manter sob controle os seus hábitos de consumo, e também para potencialmente eliminar gastos desnecessários.

Por mais que você sinta como se estivesse usando o seu salário apenas para pagar dívidas importantes, é possível que haja vários gargalos no seu orçamento, como streamings que não utiliza ou ordens em excesso em aplicativos de transporte ou comida.

Essa etapa do planejamento financeiro não existe para que você corte completamente todo o lazer da sua rotina — a qualidade de vida também é sobre diversão. Contudo, quando uma pessoa não é consciente sobre esse tipo de gasto, ele consequentemente vai tomar proporções prejudiciais à saúde financeira.

Passo 3: utilize uma planilha para acompanhar cada movimentação financeira

As planilhas são os recursos visuais mais efetivos para desenvolver um bom planejamento financeiro. A nossa recomendação é que a sua não contemple apenas os gastos e os rendimentos mensais, mas os diários e semanais também. Assim, é menos provável que você deixe algum registro importante para trás. Da mesma forma, diminui as suas chances de cometer erros ao acumular muitos valores na hora de atualizar a tabela.

Indispensavelmente, a sua planilha mensal deve conter essas três categorias principais:

  • Receitas: salário, freelancing, horas extras, 13º salário, férias e outros;
  • Despesas fixas: aluguel, condomínio, prestações da casa ou carro, gasolina, planos de saúde, faculdade, cursos etc. O ideal é que, nesse caso, as contas sejam separadas em subcategorias, como “habitação”, “saúde”, “transporte” e “educação;
  • Despesas variáveis: luz, água, gás, internet, conta de telefone etc. Aqui, temos despesas que não necessariamente têm custos fixos e que podem até mesmo ser reduzidas.

Quando a sua condição financeira permitir, acrescente à planilha uma coluna específica para registrar a porcentagem dos seus ganhos que será destinada aos investimentos

Passo 4: defina metas de curto e longo prazo

Quando as suas finanças estiverem devidamente registradas na planilha, os seus hábitos de consumo estarão mais propensos a mudar positivamente. Como consequência, você já estará apto a analisar as suas condições financeiras e estipular metas diversas, a serem realizadas em determinado período, tais como:

  • Sair de férias;
  • Adquirir um veículo;
  • Começar um curso;
  • Comprar um eletrodoméstico;
  • Poupar mais.

Seja qual for a sua lista de objetivos, ela definitivamente será muito mais consciente, pois, ao se organizar, você conseguirá delimitar quanto dinheiro precisa para conquistá-los e quanto tempo será necessário para juntá-lo. Suas decisões, por fim, já não serão impulsivas, pois as metas servirão de âncoras psicológicas para as suas atitudes.

Passo 5: aprenda a economizar o seu dinheiro

Esse é um dos passos mais importantes do planejamento financeiro, embora só seja realmente viável após toda a organização listada nos tópicos anteriores. Depois de colocar na ponta do lápis todos os seus ganhos e gastos, é hora de entender quanto dinheiro está sobrando após o pagamento das dívidas fixas e de se esforçar para que essas sobras não sejam poucas.

Idealmente, essa quantia não deve ser economizada apenas no final do mês — é preciso separá-la assim que o salário cair na conta, para evitar que ela seja gasta de maneira impulsiva. 

Esses recursos devem ser destinados à construção de uma reserva de emergência. Ao dispor de uma, você desfruta de maior tranquilidade financeira, já que contará com recursos disponíveis caso algum imprevisto aconteça, sem que o problema afete as suas finanças mensais.

O tamanho dos aportes de dinheiro nessa reserva vai depender, é claro, das suas condições atuais, do salário que recebe e do quanto gasta no pagamento de dívidas. Para fins de orientação, o cenário ideal é que as suas entradas sejam divididas da seguinte forma: 

  • 50% para as despesas fixas;
  • 30% para atividades culturais e de lazer;
  • 20% para a reserva de emergência.

Se esses 20% parecem demais nesse momento, saiba que não há problema em começar com economias menores. O mais importante é que você se dedique de verdade à construção da reserva de emergência, separando o dinheiro assim que o receber. Para isso, recomendamos que automatize o processo de poupar, utilizando as funções dos aplicativos que usa para gerenciar o seu patrimônio.

Muito importante: para indivíduos, a reserva deve ser grande o suficiente para manter o seu estilo de vida atual por até 6 meses, em caso de perda de emprego, por exemplo. Já para famílias e empresas, a orientação muda para 12 meses.

Passo 6: comece a investir

Com as dívidas sob controle, uma reserva de emergência consistente e as movimentações financeiras organizadas, é hora de fazer o seu patrimônio se multiplicar. Assim como a dinâmica da reserva, a parcela do seu salário destinada para os investimentos deve ser aplicada no início do mês, a fim de fortalecer esse hábito.

Falar de investimentos é um assunto complexo por si só. Mesmo assim, elencamos algumas dicas-chave para que você tenha ideia sobre por onde começar a investir:

  • Se for iniciante, prefira ativos de renda fixa, já que estes são mais seguros e oferecem previsibilidade de retornos;
  • A poupança não é um bom investimento, já que a sua rentabilidade é extremamente baixa em comparação com títulos de dinâmica similar e com mais segurança, como os do Tesouro Direto;
  • Jamais aplique todo o seu patrimônio em uma classe única de ativos. Para ter um portfólio consistente e equilibrado, e também para se proteger das movimentações do mercado, o ideal é que os recursos sejam espalhados em papéis com diferentes características, prazos e grau de risco;
  • Quando começar a se aventurar na compra de ações, inicie comprando ativos de empresas maiores, consideradas gigantes em seus nichos de atuação. Por mais que as ações sejam classificadas como renda variável, companhias do tipo costumam apresentar um histórico de performance mais consistente;
  • Eduque-se financeiramente e não economize tempo e esforço ao compreender o mercado de capitais. Ao investir de maneira inteligente e ao conhecer o mercado, é possível fazer as suas economias renderem gradativamente.

Quais ferramentas podem ajudar a fazer um planejamento financeiro?

As melhores ferramentas para ajudar no seu planejamento são aquelas nas quais você consegue manter atualizadas no dia a dia, registrando entradas, saídas e acompanhando se o dinheiro está indo para onde deveria. Nossa sugestões são:

  • Planilhas (Excel ou Google Sheets): ideais para quem quer controle total e personalização. Permitem registrar receitas, despesas fixas e variáveis, criar categorias e visualizar para onde o dinheiro está indo mês a mês. Funcionam bem para quem gosta de olhar números com mais detalhe;
  • Aplicativos de controle financeiro: apps como Organizze, Mobills ou similares automatizam boa parte do processo. Eles conectam com contas bancárias, categorizam gastos e mostram relatórios simples, o que ajuda quem quer praticidade e menos trabalho manual no acompanhamento;
  • Anotações manuais (caderno ou bloco de notas): funcionam melhor do que parece, principalmente para quem está começando. Anotar tudo o que entra e sai ajuda a criar consciência de gasto e identificar hábitos ruins rapidamente, mesmo sem gráficos ou tecnologia;
  • Extratos bancários e fatura do cartão: não são ferramentas de planejamento em si, mas são fundamentais para conferir a realidade das suas finanças. Eles mostram gastos que passam despercebidos e ajudam a validar se o controle financeiro está realmente completo;
  • Aplicativos de bancos digitais: muitos bancos já oferecem recursos de categorização de gastos, metas e alertas. Para quem centraliza a vida financeira em um único banco, isso pode ser suficiente para um planejamento básico.

Qual é o maior desafio de fazer um bom planejamento financeiro?

O maior desafio do planejamento financeiro está em transformar o plano em algo que funcione na prática ao longo do tempo. Planejar exige lidar com decisões imperfeitas, imprevistos e limites reais de renda e comportamento. 

Em geral, um bom planejamento não falha porque foi mal calculado, mas porque não pode ser mantido ou não considerou como as pessoas e os negócios realmente funcionam no dia a dia.

Entenda melhor a seguir.

Comportamental (para pessoas)

Para pessoas físicas, o principal obstáculo é o comportamento financeiro. Mesmo sabendo quanto ganha e quanto gasta, muita gente tem dificuldade em mudar hábitos, controlar impulsos e respeitar limites. Gastos emocionais, decisões por comparação com outras pessoas e a tendência de “compensar” frustrações com consumo até podem ser compreensíveis, mas sabotam qualquer plano bem estruturado.

Além disso, existe o problema da inconstância. No início, o controle funciona, mas com o tempo surgem exceções, pequenas quebras de regra e justificativas que vão enfraquecendo o planejamento. Sem disciplina mínima e sem metas claras, o planejamento vira apenas um registro sem propósito, e não uma ferramenta para decidir melhor o futuro.

Liquidez (para empresas)

Já para as empresas, o maior desafio costuma ser a gestão da liquidez, ou seja, garantir que haja dinheiro disponível no momento certo para pagar contas, salários e fornecedores. Inclusive, um negócio até pode ser lucrativo no papel e, ainda assim, passar por dificuldades (ou até quebrar) por falta de caixa, especialmente quando as despesas e as receitas não acontecem no mesmo ritmo.

O problema fica ainda mais grave quando há prazos longos de recebimento, concentração de clientes ou dependência excessiva de crédito. Sem planejamento financeiro focado em fluxo de caixa, a empresa acaba tendo que apagar incêndios e tomar decisões ruins sob pressão, o que consequentemente resulta na perda de capacidade de negociar ou investir de forma estratégica.

Manutenção

Outro grande desafio, tanto para pessoas quanto para empresas, é a manutenção do planejamento ao longo do tempo. A vida muda, a renda muda, os custos mudam — isso é natural. No entanto, se o planejamento não é revisado, fica desatualizado rápido.

Manter o planejamento exige rotina, revisão periódica e disposição para ajustar rotas. Não que você precise refazer tudo todos os meses, mas é importante acompanhar resultados, corrigir desvios e adaptar o plano à sua realidade atual, especialmente frente a mudanças significativas, como aumento ou perda de renda, imprevistos e por aí vai.

5 erros para evitar quando for fazer um planejamento financeiro

Seu planejamento acaba sendo em vão quando você comete algum desses erros no processo:

  1. Não atualizar a sua planilha de controle;
  2. Não ter disciplina ao construir uma reserva de emergência;
  3. Desconsiderar riscos diversos;
  4. Deixar o seu dinheiro parado;
  5. Subestimar a relevância das metas.

Entenda as consequências de cada um deles.

1. Não atualizar a sua planilha de controle

Esse desleixo pode ser fatal para as suas finanças, já que é exatamente a razão pela qual o salário não sobra e as dívidas acumulam cada vez mais. Se esse tipo de constância não for o seu forte, aposte em algumas técnicas para lembrar você sobre o dever de atualizá-la:

  • Defina lembretes e alarmes diários para acessar a planilha;
  • Mantenha ela sempre à mão, para facilitar o acesso constante;
  • Utilize uma planilha física ou uma agenda, caso o ato de escrever à mão funcione melhor para você;
  • Da mesma forma, explore aplicativos feitos exclusivamente para este fim, se preferir.

2. Não ter disciplina ao construir uma reserva de emergência

Assim como a atualização do seu controle financeiro requer disciplina, a construção da reserva de emergência também necessita desse comprometimento. Isso porque essas economias jamais serão grandes o suficientes se você não fizer aportes todos os meses, ou se recorrer a este dinheiro em situações que não são emergenciais.

Se a sua condição financeira não permitir reservar tanto do salário todo mês, é perfeitamente possível começar com pouco, desde que a dedicação seja contínua. Do contrário, qualquer contratempo terá o poder de desestabilizar as suas finanças.

3. Desconsiderar riscos diversos

Quando falamos sobre planejamento financeiro, não somente o definimos como o ato de gerenciar melhor o seu dinheiro, como também de controlar riscos com eficácia. As ameaças, afinal, podem ser inúmeras:

  • Perda de emprego ou redução de renda;
  • Despesas médicas inesperadas;
  • Reparos emergenciais em casa, como vazamentos ou problemas elétricos;
  • Acidentes de carro que exigem reparos ou substituição do veículo;
  • Gastos imprevistos com educação, como mensalidades escolares ou materiais;
  • Emergências familiares, como ajudar um parente em dificuldades financeiras;
  • Despesas legais inesperadas, como multas de trânsito ou taxas judiciais;
  • Perda ou roubo de pertences pessoais, como eletrônicos ou documentos importantes;
  • Danos causados por desastres naturais, como inundações, incêndios ou terremotos;
  • Custos de viagem de emergência.

Naturalmente, várias dessas situações são impossíveis de antecipar — e essa é a exata razão pela qual o seu planejamento financeiro deve ser colocado em prática com disciplina, sem desleixar com a etapa de economizar e construir uma reserva de emergência.

4. Deixar o seu dinheiro parado

Quando se trata de economizar para o futuro, muitas pessoas acreditam que deixar o dinheiro parado em uma conta corrente é o suficiente. No entanto, essa estratégia pode levar você ao prejuízo. Isso porque a quantia vai perder valor com o passar do tempo, uma vez que a inflação  vai alterar o seu poder de compra.

Para que compreenda melhor a dinâmica, temos um exemplo simples: o que você compra hoje com R$ 100 é o mesmo que compraria há 10 anos, com o mesmo valor? Com certeza não, pois os preços dos produtos foram subindo  ao longo dos anos. 

Além disso, vale mencionar que contar com a poupança para fazer com que o seu dinheiro renda também é uma má ideia. Isto é, com um rendimento extremamente baixo e com a possibilidade de perder esse pequeno lucro se fizer um resgate antes da data de aniversário de aplicação, a caderneta definitivamente se mostra como um mau investimento.

5. Subestimar a relevância das metas

Como explicamos anteriormente, as metas têm uma função psicológica bastante útil para o planejamento financeiro. Resumidamente, elas representam marcos evolutivos na sua jornada, por meio de conquistas futuras — uma casa própria, um carro, uma viagem dos sonhos, a estabilidade financeira necessária para ter filhos… 

Sob essa perspectiva, os objetivos servem não somente para embasar melhor as suas estratégias de organização, mas também como uma forma de motivação para que a disciplina financeira seja mantida, tornando os seus hábitos de consumo mais saudáveis. 

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Isso mesmo, conosco! Aqui na Grão, nós oferecemos o serviço de planejadores financeiros, que vão te ajudar a organizar as suas finanças e criar um plano para atingir os seus objetivos. 

O serviço é personalizado, sob medida para suas expectativas e necessidades. O profissional mapeia seu perfil de risco, objetivos e situação financeira atual para traçar uma estratégia de gestão de patrimônio para o futuro.

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